segunda-feira, 25 de abril de 2016

Bateria, Bateristas e Brasilidades

Olá pessoal.
Sejam bem-vindos...
Essa é primeira de uma série de matérias que vou escrever para o blog da In Concert Academia de Música, onde buscarei analisar alguns importantes e curiosos álbuns da nossa música brasileira com uma atenção especial para a bateria. A ideia é trazer curiosidades, estudos e conhecimentos acerca da nossa música e nosso instrumento. Espero que gostem, comentem e compartilhem.
O álbum escolhido para esta matéria de estreia foi um disco de grande importância para a carreira da cantora Gal Costa. “Água viva” lançado em 1978 (gravadora Phillips) representa uma ruptura da artista com a imagem de cantora de vanguarda, ganhando seu primeiro disco de ouro, atingindo um grande público e se consolidando definitivamente como uma grande intérprete da MPB.
 

 
(Créditos: Marisa Alvares Lima)



Nas baquetas desse disco, comprovando e destacando seu bom gosto, criatividade e musicalidade, está o mestre Paulo Braga. Nascido em Guarani, Minas Gerais, mudou-se para o Rio de Janeiro. Foi baterista responsável por um acervo de importantes gravações e contribuições para bateria e música brasileira. Gravou com Tom Jobim (com quem trabalhou por 15 anos), Milton Nascimento, Elis Regina (quem acompanha na foto abaixo), Tim Maia, Djavan entre outros. Mudou-se para Nova Iorque em 1995, se destacando também entre os músicos de jazz / pop internacional, gravando com Joe Henderson e citado como referência para o guitarrista Pat Metheny.

 


(Armando Borges / CEDOC FPA)

 
Para apreciarmos um pouco mais a fundo o trabalho que Paulo Braga (ou Paulinho Braga) desenvolveu neste disco, escolhi alguns pequenos trechos de 03 músicas para transcrever e comentar. É importante que primeiramente você ouça as músicas para em seguida acompanhar essas anotações. Vamos lá!

 

“De onde vem o baião” de Gilberto Gil, é a terceira faixa do disco e destaca o bom gosto de Paulo Braga ao formar esse groove tão envolvente e interessante, usando nada mais do que bumbo, caixa e chimbal durante toda a música.

Parte A¹:



Parte A²:

 


Refrão:
 



 
Em “Mãe” (Caetano Veloso), uma balada em 3/4, nota-se, nas conduções da bateria, características do Jazz e do Rock.

Trecho da segunda parte da música:
 



Variação:




 

Para encerrar nossa análise, “Qual é, baiana?” (de Caetano Veloso e Moacyr Albuquerque) com outro groove interessante na parte B:




 
Observação importante:

Não posso deixar de mencionar que a primeira faixa do disco (o samba “Olhos verdes” de Vicente Paiva), não foi gravada por Paulo Braga e sim pelo baterista Enéas Costa, do qual poderemos falar em outra matéria.

 
Espero que tenham gostado do assunto, que apreciem este lindo disco e sigam acompanhando os trabalhos deste incrível baterista. Abaixo deixarei umas informações adicionais sobre o disco. Um abraço e até a próxima!

 

- GABRIEL MAROTTI


Ficha técnica do disco:

Direção de produção: Perinho Albuquerque
Assistente de produção: Lenia Grillo
Arranjos: Perinho Albuquerque e Wagner Tiso
Técnicos de gravação: Ary Carvalhaes e Paulinho Chocolate
Mixagem: Luigi Hoffer
Montagem: Barroso
Auxiliares de estúdio: Julinho e Vítor
Criação de layout: Aldo Luiz
Arte final: Arthur Fróes
Fotos: Marisa Álvares Lima
Maquiagem: Guilherme Pereira

Músicos participantes:

Piano: Tomás Improta, Wagner Tiso e Antônio Perna Fróes
Guitarra: Perinho Albuquerque, Perinho Santana e Toninho Horta
Baixo Elétrico: Jamil Joanes, Luizão Maia e Moacyr Albuquerque
Bateria: Enéas Costa e Paulinho Braga
Percussão: Bira da Silva, Luna, Marçal, Doutor, Geraldo, Ney Martins e Charles
Saxofone Alto: Jorginho da Flauta
Acordeom: Sivuca
Harpa: Wanda Eichbauer
Sintetizadores: Marcos Resende

 

Fontes:

http://www.galcosta.com.br/

http://galcostafatal.blogspot.com.br/2010/01/1978-agua-viva-album.html

http://www.batera.com.br/Biografias/paulo-braga

http://virtualiaomanifesto.blogspot.com.br/2009/02/agua-viva-o-album-que-mudou-carreira-de.html

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