segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Porque Aprender Música?



É tão interessante, mas desde a antiguidade grega os benefícios do aprendizado da música já eram conhecidos. A estrutura melódica que era usada, na época, na educação das crianças é a mesma que fascina todas as idades equase todas as civilizações no decorrer da história.

Nos países desenvolvidos, desde os tempos remotos até os dias de hoje, o aprendizado da música foi e é imprescindível para a educação das crianças.

Os benefícios do aprendizado musical são incalculáveis. Basta fazer uma rápida busca na internet e você se perderá com tantos estudos que comprovam esses benefícios.

As atividades musicais planejadas e bem orientadas, nas mãos de profissionais especializados e competentes, são tão poderosas que promovem transformações importantes da formação da personalidade do indivíduo.

Quanto mais cedo uma pessoa tem a oportunidade de estudar música, maiores serão os benefícios, porém a idade não é um obstáculo. Estudos comprovam que a música é capaz de promover conexões neurais em idosos, o que se acreditava não ser mais possível com o avanço da idade.

O aprendizado de música favorece significativamente o desenvolvimento de vários  
aspectos como linguagem, crescimento cognitivo, interação social, capacidade de comunicação e de expressão, criatividade, observação, concentração e habilidades motoras.

Várias áreas do cérebro são ativadas ao mesmo tempo quando se toca um instrumento musical. Utiliza-se cálculo, leitura, coordenação motora com movimentos diferentes nas mãos e nos pés, o sentido da audição, tato e visão também são exigidos, além da expressão, do prazer e o sentimento que automaticamente está inserido na atividade.

As aulas de música são extremamente estimulantes para o intelecto das pessoas. Segundo vários estudos, o aprendizado musical aumenta a área ativa do cérebro, tendo como consequência o aumento da inteligência.

Nenhuma outra atividade da vida humana requer tantos fatores trabalhados ao mesmo tempo, além de ser muito prazeroso. Por isso, aprender a tocar um instrumento musical ou cantar é a mais rica e agradável forma de desenvolvimento global que se pode proporcionar para alguém em qualquer idade.


Além de tudo isso, também é amplamente discutido os benefícios da música na saúde física, mental e espiritual.
As inúmeras experiências dos profissionais da área comprovam que as aulas de música também ajudam muito as pessoas com transtornos psicológicos e doenças neurológicas.

A música exercita nosso cérebro de maneira única e envolve praticamente todas as regiões cerebrais que se conhece. 

Existem evidências suficientes para afirmar que a experiência musical muda nosso cérebro permitindo que as pessoas pensem de forma diferente e treina várias habilidades cognitivas não relacionadas à música.

-STELA MARCIA

terça-feira, 12 de junho de 2018

Violão, uma Viola grande

Você sabia que o nome Violão surgiu como o aumentativo de Viola?

Isso mesmo! Ao longo dos meus anos como professor de música muitos alunos me perguntam o porquê do nome Violão.

Neste artigo vamos ver a origem desse nome e um pouco do que há em comum entre a Viola, a Guitarra e o Violão.

Uma das hipóteses para a origem do Violão é que ele seria derivado do Alaúde Árabe, que deu origem à Guitarra Mourisca e também da Guitarra Latina, derivada da Khetara Grega, que conviviam no mesmo período na Europa, mais exatamente na Espãnha, surgindo aí um novo instrumento chamado simplesmente de Guitarra.
 
Guitarra Mourisca
                                                 

Esse novo instrumento começou a ser propagado em outros países, como a Itália e a França, e caiu de vez no gosto dos europeus.

Já em Portugal, existia outro instrumento chamado de Viola Portuguesa, da qual deu origem a nossa Viola Caipira e quando os portugueses tiveram contato com a Guitarra Espanhola, se percebeu que os instrumentos eram muito parecidos, porém a Guitarra era maior e mais robusta que a Viola, portanto um Violão.
 
Viola Portuguesa

Desde então, em alguns países de língua portuguesa, adotou-se o nome Violão para esse instrumento, já em outros ele é conhecido como Guitarra Clássica.
 
Violão

No Brasil utilizamos o termo Guitarra, para a famosa Guitarra Elétrica, que é derivada do Violão, e Viola para a nossa Viola Caipira.
 
Guitarra Elétrica
 

Viola Caipira
 
 
É interessante perceber como esses instrumentos se misturam tanto na sua anatomia como na sua etimologia fazendo com que o instrumentista tenha certa afinidade com ambos e acabe se interessando em praticá-los.

Apesar de o repertório ser um dos pequenos pontos que os diferencia, hoje em dia, eles se misturam nas composições, nas gravações e também nos palcos, cada um com sua característica e beleza própria.
-Prof. JOÃO PAULO ARAÚJO
 

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Trítono

Chamamos de Trítono o intervalo de três tons que existe entre a 3ª e a 7ª de um determinado acorde.

Essa distância de três tons, causa aos nossos ouvidos uma sensação desagradável, o que chamamos de Dissonância.

O acorde em questão é o acorde V7, que nos confere um caráter de tensão, que exige resolução.

Sua resolução poderá ser tanto no acorde "Maior" quanto no acorde "menor", como podemos observar no exemplo abaixo.

Ex:



O Trítono, por ser um intervalo dissonante, era proibido de ser tocado na Idade Média, onde recebeu o nome de "diabolus in musica" pois sua sonoridade desarmônica, dita até então, não representava a perfeição de Deus que se traduzia em sons harmônicos.

Hoje em dia usamos o Trítono em quase todos os estilos musicais, sendo que em alguns, praticamente em todos os acordes, como o Blues e o Jazz.

- Prof. JOÃO PAULO ARAÚJO

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Educação e Tecnologia nos Dias de Hoje

É mais do que sabido que a educação e formação das crianças, desde o nascimento, é de total responsabilidade dos pais e/ou responsáveis e professores.

Vivemos num mundo repleto de aparatos tecnológicos como tablets, celulares, computadores e jogos virtuais com definições riquíssimas e características extremamente estimulantes.
Será que toda essa tecnologia é 100% benéfica?

O famoso físico teórico britânico Stephen Hawking, um dos mais consagrados cientistas da atualidade, afirmou recentemente que o desenvolvimento avassalador nos últimos anos da ciência e tecnologia levará a humanidade à extinção em mil anos, no máximo.
Outro dia presenciei um bebê passando o dedo por uma revista esperando que a página mudasse como um tablete.

É muito fácil distrair as crianças e adolescentes com os inúmeros jogos virtuais que se têm à disposição, que passam a preencher o tempo ocioso e até mesmo ocupar o precioso tempo que deveria ser usado para o estudo.
Percebemos que as crianças não sabem brincar ou se comunicar sem seus celulares, tablets e conexão com a internet.  Enquanto estão com seus aparatos tecnológicos, não observam o mundo ao seu redor e passam a viver uma realidade longínqua formada por personagens virtuais em situações fantasiosas. Tudo muito interessante e atraente.

Dificilmente uma outra atividade como andar no parque, ler livros, montar quebra-cabeças, aprender a tocar um instrumento musical e até mesmo jogos de tabuleiro, vai atrair a atenção dessa geração.
Até que ponto todo esse acesso à tecnologia vai ajudar a transformar nossos filhos em seres humanos melhores, completos e felizes?

A internet oferece muita informação, porém, toda essa informação não representa aquisição de conhecimento.
Em conversas com os professores da Academia, nos surpreende observar o comportamento tanto de bebês quanto de crianças e adolescentes, a chamada “geração Z”, com seus aparatos tecnológicos e principalmente a influência que causam neles.

O ser humano é naturalmente caracterizado por uma evolução biológica lenta e não podemos mudar esse fato. As crianças e adolescentes não têm mais muita paciência para participar de um projeto onde devam se dedicar, se esforçar para obter um resultado final satisfatório, dentro de um determinado prazo. Essa falta de paciência pode torná-los imediatistas, desinteressados e desestimulados, apresentando como consequências, dificuldades para enfrentar desafios e vencer etapas que exijam esforços.
Para evitar esse tipo de problemas devemos oferecer novas experiências por meio de atividades específicas tais como: música, que é a mais rica forma de expressão artística, dança, esportes, atividades manuais, atividades que obriguem o sentido da audição a trabalhar mais do que o sentido da visão, atividades que proporcionem contato e interações com outras pessoas sem uso de aparatos tecnológicos e as que estimulam a imaginação. Esses são recursos importantíssimos para que se desenvolva as habilidades naturais dos seres humanos em formação.

É de nossa total responsabilidade, já que somos parte indispensável na formação das crianças, tomarmos consciência de toda essa problemática e agir veementemente no sentido de que o desenvolvimento da essência espiritual e da sensibilidade inatas continuem na vida delas, para que se tornem seres humanos completos, realizados, felizes, capazes e que atuem na sociedade de forma construtiva e positiva.
Nós da In Concert Academia de Música continuaremos fazendo a nossa parte, cultivando o relacionamento interpessoal, a expressão artística, a comunicação, a satisfação pessoal e o desenvolvimento emocional.

Sabemos que é um trabalho de formiguinhas, mas temos convicção que, se plantarmos a boa semente, na hora certa haverá de germinar e frutificar de forma a nos orgulhar.
Com a conscientização e ajuda dos pais/responsáveis e nossa dedicação, tenho certeza que valerá a pena.
 
- STELA MARCIA
 

 

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Hino a São João Batista

Consta que foi Guido D'Arezzo, célebre músico do século XI, quem deu nomes às diferentes alturas musicais, usando a primeira sílaba de cada verso do seguinte hino a São João Batista.

Ut - Ré - Mi - Fá - Sol - Lá - Sa
 
 
Utqueaut laxis
Resonare fibris
Mira gestorum
Famuli tuorum
Solve polluti
Labii reatum
Sancte Ioannes
 
Que quer dizer:
 
Purificai bem-aventurado João, os nossos lábios polutos, para podermos cantar dignamente as maravilhas que o Senhor realizou em ti. Dos altos céus vem um mensageiro anunciar a teu pai, que serias um varão insigne e a glória que terias.
 
Sendo a sílaba UT de difícil pronuncia, foi substituída por Dó de Dominum e o Sá pelas iniciais de Sancte Ioannes (SI).
 
 
-STELA MARCIA


terça-feira, 5 de julho de 2016

Bateria, Bateristas e Brasilidades (nº4)


Olá pessoal... Chegamos à 4ª edição de matérias sobre bateria e música brasileira onde busco trazer uma breve análise de alguns importantes discos da nossa música, destacando nossos incríveis bateristas, e é claro, gerando um material legal para você estudar através de transcrições, discografia e etc.

Aproveito o álbum escolhido este mês para homenagear um dos lugares culturalmente mais belos e ricos do nosso país: a Bahia, já que vamos falar de “Rosa Passos Canta Caymmi” (Lumiar Discos, 2000). A cantora, compositora e violonista Rosa Passos é, sem dúvidas, uma das maiores divulgadoras da música brasileira dos últimos anos no Brasil e exterior. Tento conquistado plateias na Europa, Ásia e Estados Unidos, a baiana já gravou discos em parceria com Ron Carter, apresentou uma série de shows em casas como “Blue Note” (em New York) e realizou oficinas de música na conceituada “Berklee College Of Music” em Boston, onde foi homenageada. No Brasil, a cantora se apresenta frequentemente em diversos festivais para o grande público, sempre acompanhada de grandes músicos e belos arranjos que destacam ainda mais a grandeza desta artista que pulsa música brasileira.

 
 

Enriquecendo as camadas rítmicas deste trabalho, temos na bateria Erivelton Silva. Filho de baterista, o brasiliense mudou-se para o Rio de Janeiro em 2000 devido as oportunidades de trabalhos, iniciando uma nova fase em sua carreira musical. Requisitado para shows e gravações passou a trabalhar com artistas como João Bosco, Chico Buarque, João Donato, Ivan Lins, Ed Motta, Milton Nascimento entre outros. Além disso, por suas peculiaridades como baterista, sobretudo tocando samba, o músico também tem realizado workshops em diversas universidades nos EUA.

 
 
 
Agora, vamos mergulhar no trabalho que Erivelton Silva realizou neste disco através de algumas transcrições, comentários, e claro, a escuta (parte mais importante).

Começaremos por “Vatapá”, sexta faixa do disco e ponto onde busquei trazer maiores detalhes. Abaixo temos a introdução, com essa levada de Samba-Funk, onde o baterista exibe seu swing e domínio do instrumento.

 
Agora, temos o mesmo trecho, mas com o detalhe das cúpulas que dispensei acima para uma primeira leitura. Lembrando que, afim de tornar a leitura mais limpa, também não foram inseridas algumas ghost notes. 

 
 
 Num trecho um pouco mais à frente, encontramos uma variação na condução, cheia de malícia e que dá um efeito bastante curioso e interessante na música. Veja:
 

 
 Repare na parte destacada acima. Se você tocar somente ela (isoladamente), terá este groove:


 
 Ou seja, com esse tipo de ideia (deslocamento), você cria ilusões rítmicas capazes de quebrar o padrão de condução do qual vinha utilizando e de trazer a atenção do ouvinte (ou dos outros músicos) de volta. Claro que isso exige uma boa dose de bom senso, bom gosto e experiência, como podemos ver e ouvir neste caso com Erivelton Silva.

 Seguindo com “Você Já Foi à Bahia?”, faixa que abre o disco, temos um trecho onde a bateria faz uma condução um pouco diferente, voltado para o “Latin”. Entre as variações desse trecho, destaquei um para padronizarmos e possibilitar melhor entendimento desta levada.
Obs: Mão direita na cúpula do ride e mão esquerda no chimbal (para destros)


 
Podemos aproveitar uma segunda possibilidade de tocar esta levada para praticá-las como exercícios de coordenação ou até independência (se quiser inverter a mão da condução)

 

 
E vamos fechar com “Samba da Minha Terra” com esse groove que caiu muito bem onde foi empregado.


 
 Vale lembrar, que além de Erivelton Silva, a cantora Rosa Passos tem sempre em seus palcos ou discos, o trabalho de outros grandes bateristas como Celso de Almeida, Edu Ribeiro, Rafael Barata entre outros.

Espero ter contribuído em algo com este material e que estejam gostando dessa série de matérias. Fiquem à vontade para enviar críticas, sugestões e perguntas. Muito obrigado e muita música à todos.
-GABRIEL MAROTTI
 
Fontes:

terça-feira, 28 de junho de 2016

Pensando sua Música

 Interpretação

 
No processo de aprendizado musical, podemos encontrar livros, métodos ou vídeos que nos ajudam com os mais diversos aspectos da música. Temos disponíveis tratados sobre harmonia, ritmo e métodos que tratam da técnica específica dos mais variados instrumentos. A maior parte do estudo de uma música se trata em aprender qual notas e quando tocar, mas depois de vencida esta etapa é deixada para o próprio estudante, às vezes, sem referências, a questão de como essa música deve soar. Chamamos este aspecto musical de interpretação.
 
            Quando executamos uma música, tomamos uma série de decisões, mesmo que inconscientes, que trarão à tona o resultado de como esta música soou. Mesmo que tecnicamente correta, uma música pode soar desinteressante devido a uma interpretação fraca ou equivocada.
 
            Nesta matéria trago um exercício que ajudará a tomar decisões conscientes e ter direcionamento para que a execução de uma música atinja o resultado esperado.
 
            Abaixo estão dois vídeos de uma mesma peça, o prelúdio da Suíte para Violoncelo nº 1 de J. S. Bach, executada por Yo-Yo Ma e Mstislav Rostropovich. Como primeira etapa do exercício sugiro que você ouça a música com atenção algumas vezes, para se acostumar com as suas partes.

Yo-Yo Ma:



 

Rostropovich:

 



            Yo-Yo Ma e Rostropovich são considerados grandes mestres em seus instrumentos. Mostraram interpretações da mesma obra musical, com as mesmas notas e usando o mesmo instrumento, sendo assim, evite julgamentos do tipo “A gravação X é melhor que a gravação Y”.
 
            A segunda etapa do exercício será procurar diferenças entre as peças, que chamaremos de contrastes. Em uma folha de papel trace uma linha vertical no meio dela e em cada coluna, coloque algum aspecto de uma das gravações e do outro lado, o seu contraste.
 
            No início podemos usar critérios mais subjetivos, como por exemplo, afirmar que uma das interpretações é mais animada que a outra, ou ainda que uma é mais clara, enquanto a outra é mais escura.
 
            O próximo passo é descobrir e explicar mais objetivamente como foram alcançados estes determinados aspectos. Se afirmamos anteriormente que uma gravação é mais animada, precisamos pensar no que foi feito para que isto acontecesse. Talvez ele tenha deixado a música mais animada porque a executou com uma dinâmica mais forte do que a outra gravação. A interpretação mais clara pode ter sido resultado de uma execução com andamento mais rápido, enquanto a outra, mais escura, possui andamento mais lento.
 
            Podemos executar uma música com uma rítmica mais livre (rubato) ou mais regular. Podemos executar com todas as notas soando por toda a sua duração (legato) ou que todas elas sejam mais curtas, ou “secas” (staccato). Podemos fazer com que as variações nas dinâmicas (forte e piano) sejam mais ou menos intensas, ou ainda com que estas variações sejam graduais ou repentinas.
 
            Depois de identificados diversos aspectos e seus contrastes nas gravações e de pensarmos em como os músicos fizeram para alcançar estas características, chegamos na terceira e última etapa do exercício, que é aplicar estes contrastes em sua música e nos seus estudos.
 
            O material no qual vai aplicar pode ser, de início, algum exercício que você trabalha frequentemente como alguma escala ou sequência de arpejos. Além de tocar as notas certas, insira elementos retirados da sua pesquisa nas gravações, como as dinâmicas e a duração das notas, pense em quais momentos estes aspectos serão aplicados e em quais eles serão contrastados. Depois dos exercícios, aplique em músicas completas, fazendo contraste entre as diferentes partes delas. Isso fará com que suas interpretações sejam mais conscientes e diferentes das outras que já existem, também possibilitará que você identifique porque gosta mais de determinada intepretação que de outra, podendo aplicar esses aspectos percebidos em sua própria música ou ainda, porque não gosta de alguma interpretação, podendo evitar tais elementos na sua interpretação.
 
- FELIPE MATULA